quinta-feira, 23 de abril de 2009

Entre vogais e consoantes

Show do Pouca Vogal em Pelotas levanta a plateia




Foi em pleno feriado, primeiro frio de inverno, e o teatro lotado para receber o novo projeto dos já conhecidos Humberto Gessinger e Duca Leindecker. Quem esteve no Guarany, na última terça (21), pôde presenciar a força do Pouca Vogal que, apesar de sugerir um trabalho intimista, conseguiu explorar ao máximo a explosão criadora de dois dos maiores músicos gaúchos.

Na entrada no palco o reconhecimento foi imediato. Fãs não esquecem fácil, ainda mais quando se trata de figuras tarimbadas na região. No entanto, eles não eram mais os mesmos. A agitação das guitarras elétricas e da bateria foram deixados para trás. A proposta agora é inovar e aproveitar todos os membros do corpo para fazer música de forma macia e delicada.




A menor banda do rock gaúcho, como eles mesmo se intitulam, mostrou que não é pequena em talento. Mesmo com apenas duas pessoas no palco houve espaço para violão, viola caipira, pandeiro, gaita de boca, bombo e piano. Na maioria das músicas cada um abraçava mais de um instrumento. Leindecker ficou com a percurssão, Gessinger com a harmônica e o piano; os violões sempre presentes. Um festival de sons difícil de enquandrar.

Um pouco de MPB, muito de pop e principalmente do rock, do qual Duca e Humberto não conseguiram se distanciar. As inéditas Depois da Curva e Além da Máscara, executadas no início do show foram cantadas por boa parte do teatro e mostraram que o Pouca Vogal já tem seus próprios seguidores. No repertório, fica claro que o espírito ainda é o de fazer poesia com as questões do cotidiano. As melodias tem algo de novo, mas se ouvidas com atenção revelam bastante da sonoridade de Cidadão Quem e Engenheiros do Hawaii.

Não há como negar que os pontos altos da apresentação foram clássicos como Refrão de um Bolero, com Gessinger ao piano, e Pinhal, na voz de Duca. O pessoal levantou, cantou, aplaudiu, pediu bis. O carisma adquirido em mais de 20 anos de estrada sempre ajuda na hora de mostrar algo novo. Dessa vez, a simpatia dos caras nem precisaria ter entrado em cena, mas apareceu. Até o Café Aquário foi homenageado no papo com a plateia.

O público saiu do teatro com duas sensações bem agradáveis: a de prestigiar dois gigantes do rock gaúcho tocando suas clássicas e a de assistir a dois iniciantes apresentando suas invenções. Em uma análise geral, o show vale o ingresso tanto para os antigos fãs quanto para os ansiosos por uma nova musicalidade.

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