terça-feira, 31 de março de 2009

Velocidade da informação X Qualidade da notícia - Entrevista com Sylvia Moretzsohn

Atualmente tem se tornado díficil conciliar o bom jornalismo às exigências do mercado. Os pressupostos básicos à apuração das notícias muitas vezes tem de ser deixados de lado graças a necessidade de superar a concorrência no quesito velocidade. Na web, a euforia com relação a instantaniedade parece ter sido potencializada e, a cada dia, mais informações incorretas e furos equivocados são publicados na rede.
A jornalista e doutora em comunicação Sylvia Moretzsohn nos fala sobre sua pesquisa a cerca do atual dilema da profissão. Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Sylvia é autora de Jornalismo em Tempo Real: o fetiche da velocidade e de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico.

Elen Sallaberry Até que ponto você acredita que a web potencializou o processo de fetichização da velocidade?

Sylvia Moretzsohn – Eu gostaria de responder a essa pergunta lembrando o que tantos autores, em épocas passadas e em outras nem tão distantes assim, disseram a respeito do elogio da tecnologia como propulsora das mudanças sociais, quando de fato essas mudanças têm a ver com as lutas sociais e a relação de forças que existe na sociedade. Então, magnificada do jeito que é (e sempre foi, desde o início), a web contribui radicalmente para esse processo de fetichização da velocidade. Mas não precisava ser assim: a web abre enormes perspectivas para a comunicação. O problema é o enfoque, o entusiasmo, o deslumbramento diante desse suposto mundo novo, esquecendo-se das forças que o controlam. Basta ver os milionários negócios em torno dos grandes sites e o interesse dos grandes investidores, como Murdoch. Basta comparar com o que foi o entusiasmo da "era do rádio", nos seus primórdios, nos anos 20 do século passado.

ES – A crescente valorização da informação por sua intantaniedade é irreversível?

SM – Não, não acho que nada seja irreversível. Mas esta é uma tendência muito presente nos dias de hoje, e que resulta de uma tendência histórica do jornalismo, pelo menos desde que se tornou atividade industrial, em meados do século 19. Reverter essa tendência depende da reversão das bases em que se organizam as sociedades, porque aí será possível cultivar outros valores, diferentes dos de hoje, em que impera a irracionalidade muito bem sintetizada na situação da indústria automobilística: sabemos que, se o ideal de felicidade dos indivíduos é a conquista de seu carrinho particular, então só poderemos ter um monumental engarrafamento e uma crescente poluição. E agora, diante da crise econômica, que afeta especialmente essa indústria, a opção é por mais investimentos no setor, apesar das consequências nefastas, inclusive e sobretudo do ponto de vista ecológico.

ES – É possível conciliar rapidez e precisão nas notícias?

SM – É difícil. Notícias, por definição, exigem agilidade, mas será sempre necessário adotar determinados procedimentos sem os quais os riscos do erro serão enormes. Então a precisão, a apuração e algum tempo para a contextualização adequada para a divulgação de uma determinada notícia teriam de prevalecer em relação à velocidade. Mas não é fácil adotar esses pressupostos (que entretanto são básicos para o exercício do jornalismo), dadas as condições da concorrência e dado, principalmente, o fato muito objetivo da "concorrência" dos tais "cidadãos" equivocadamente confundidos com jornalistas. Este me parece o nó principal da questão ética hoje: como respeitar determinados princípios se qualquer um pode expor qualquer coisa em "tempo real"?

ES – A existência, cada vez mais presente, de cidadãos-repórter, isto é, pessoas que divulgam notícias na Internet sem formação para tal, pode prejudicar ainda mais a credibilidade das informações ali encontradas?

SM – Eu acho que o equívoco começa por essa denominação de "cidadão-repórter". Isso tem a ver com uma determinada concepção do que seja jornalismo. Isso que aquele coreano diz para justificar o Ohmynews é um absurdo: o fato de todos nós recebermos e transmitirmos inúmeras informações todos os dias não faz de nós repórteres, porque repórteres são mediadores socialmente reconhecidos (isso tem a ver com a idéia de quarto poder, que eu abordo nesse meu segundo livro). Entretanto, a questão da credibilidade não me parece que seja afetada por esse fenômeno, porque o público reconhece quem são os meios de referência. O problema é outro: é esse estímulo desmesurado à "participação" dos tais cidadãos, que frequentemente plantam fraudes nos sites de referência, como ocorreu com o uol no dia do acidente com o avião da TAM, que postou uma foto anunciada como o único documento de uma pessoa a saltar do prédio da empresa em chamas, quando se tratava de uma montagem.

ES – Você acredita que é função do jornalista ir contra o processo de desqualificação das notícias?

SM – Bom, os jornalistas têm responsabilidade sobre o que fazem, portanto deveriam estar comprometidos com o rigor da informação. No entanto, trabalham de acordo com um determinado sistema, que lhes impõe determinadas rotinas e é muito fortemente marcado pela concorrência. Isso demonstra as dificuldades para o exercício do jornalismo. Além do mais, a luta pelo exercício do bom jornalismo é necessariamente política, devido ao confronto com interesses variados que marcam a produção e divulgação de informações. Não entendo quem seríamos "nós" por oposição aos jornalistas: nós, o povo? Os cidadãos em geral? Quem são esses cidadãos? O professor, a dona de casa, o pedreiro, o motorista de ônibus, o metalúrgico que acabou de perder o emprego, o balconista, o diplomata, o executivo de uma multinacional? Esses "cidadãos" não se equivalem, não têm o mesmo status nem o mesmo grau de formação e, portanto, não podem interferir da mesma forma na produção de notícias. Aliás, a rigor, não podem interferir de forma nenhuma, a não ser muito pontualmente, porque estão ocupados em suas tarefas cotidianas próprias à profissão que exercem, enquanto a profissão do jornalista é exatamente esta: exercer o jornalismo.

ES – Sobre o Caso Paula Oliveira, você relaciona as falhas cometidas na cobertura com a exigência de publicação em tempo real?

SM – Não, porque o Noblat, que tinha as informações, não as divulgou imediatamente. Ele mesmo diz que procurou certificar-se da história entrevistando a moça e pedindo as fotos. Não sei quanto tempo isso tomou, mas não foi como o caso do avião da Pantanal que teria caído em São Paulo, que o site da GloboNews publicou e logo todos os outros sites, inclusive o blog do Noblat, reproduziam. O problema, no caso da denúncia dessa moça, foi que o Noblat não verificou com o devido cuidado o que aquelas fotos podiam significar. Como as tomou como comprovação da violência, apesar de evidentes (para mim e tantos outros) indícios em contrário, achou por bem bancar a informação, e se deu mal. E os demais meios de comunicação embarcaram na história com a mesma excitação, e tudo virou a previsível bola de neve, envolvendo inclusive as nossas autoridades (que também têm a sua responsabilidade na história), até que o caso começou a se desmontar. Então, as exigências do tempo real podem ser apontadas a partir da denúncia "em primeira mão", mas essa denúncia, ela mesma, não foi fruto do "tempo real". O jornalista se precipitou, sim, mas teve tempo suficiente para apurar e refletir se aquelas informações eram indiscutíveis (que não eram, como sabemos).
Para esclarecer: a notícia inicial sobre a história da Paula Oliveira não resultou das urgências do "tempo real", como expliquei, mas o que decorreu daí - a reprodução dessa mesma notícia nos vários meios - sim. Aliás, o Ramonet classifica esse processo de "mimetismo midiático": um publica e os outros repetem automaticamente. E aí vira verdade, mesmo que seja mentira.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Muitas palavras e pouco resultado

MEC debate as diretrizes curriculares do jornalismo, mas ao contrário de respostas surgem ainda mais dúvidas

A primeira audiência pública para discussão do currículo dos cursos de jornalismo ocorreu na última sexta, dia 20, no Rio de Janeiro. A reunião foi proposta pelo Ministério da Educação e contou com a participação de estudantes, professores e profissionais da área. Já estava na hora de repensar o apredizado da profissão, uma vez que os repórteres, na maioria formados para a televisão ou jornal impresso e programados apenas para servirem a grandes companhias, já não encontram espaço no mercado de trabalho.

O jornalista Maurício Tufanni afirma em seu blog, Laudas Críticas, que o debate é uma forma, imposta pelo MEC, de forçar os cursos de jornalismo a reverem seus conceitos sobre o formato dos currículos e a obrigatoriedade do diploma. "Lamentavelmente, temos mais um exemplo na história deste país de uma ação por parte do governo para induzir algo que outros setores da sociedade deveriam ter feito". Realmente, é díficil acreditar que não tenha partido dos próprios membros da classe a necessidade de respirar um ar renovado.

Nada ficou decidido no encontro. No entanto, a professora Sylvia Moretzsohn, em artigo para o Observatório da Imprensa, salienta duas polêmicas, surgidas no debate, que são como bombas-relógio prestes a explodir. " A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião [A separação do curso de Jornalismo do de Comunicação Social]. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil [O ministro da educação sugeriu que a cada faculdade aberta um ponto se drogas seria fechado]".

Por enquanto estão sendo recolhidas ideias, que serão utilizadas pela Comissão Especializada da Secretaria de Ensino Superior para formulação da proposta de currículo a ser encaminhada para o Ministério. A equipe, que terá a palavra final sobre a mudança das Diretrizes Curriculares da graduação, é presidida pelo jornalista José Marques de Melo, um dos fundadores do curso de comunicação na USP.

José Marques de Melo é o presidente da Comissão Especializada responsável pelo debate

A próxima audiência pública acontece no dia 24 de abril, em Recife, e ouvirá representantes do mercado de trabalho do jornalismo. A terceira edição será em São Paulo, no dia 18 de maio e receberá as contribuições dos movimentos sociais, organizações não-governamentais e demais setores da sociedade civil.

Alunos, professores, pesquisadores e profissionais do jornalismo também podem enviar contribuições para a discussão, até o dia 30 de março, para o endereço consulta.jornalismo@mec.gov.br. Os principais temas a serem desenvolvidos são: o perfil desejável do profissional de jornalismo, e as principais competências a serem adquiridas durante a graduação. É a chance de participar e fazer valer as ideias da sociedade sobre a profissão.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Inscrições para atividades complementares encerram amanhã

Estão abertas até amanhã (20) as inscrições para as atividades complementares oferecidas pela Universidade Católica de Pelotas. As vagas são destinadas a alunos já matriculados na disciplina de mesmo nome, parte do novo currículo dos cursos da instituição. Para escolher as atividades a serem cursadas é preciso acessar o SAPU 2.0 e clicar na aba correspondente.

As atividades complementares fazem parte da grade acadêmica das Instituições de Ensino Superior graças a sua presença nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Junto com as horas de aula teórica, de estágio e de Trabalho de Conclusão de Curso, as tarefas cumpridas extra classe dão ao graduando competência para exercer a profissão escolhida. Cada graduação possui um número de horas de atividade obrigatórias.

Na nova proposta, ao invés de o aluno ser responsável por descobrir e arcar com o custos de palestras e cursos de aperfeiçoamento, a própria UCPel oferece opções diferenciadas. Temáticas gerais são desenvolvidas em aulas como Espanhol, Estudos em Web 2.0 e Estudos Musicais. Atividades específicas para cada habilitação também serão disponibilizadas pelas coordenadorias dos cursos. "Gostei da cadeira. As propostas são bem variadas e interessantes", afirma o estudante de jornalismo, Lucas Schuch.

Para mais informações basta se dirigir a coordenadoria de seu curso, ao Saguão do Campus I ou ainda ligar para
2128-8269.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Reinvenção do pensamento

Fronteiras do Pensamento traz TomWolfe a Porto Alegre




A Reinvenção da Vida, a Reinvenção do Mundo é o tema da segunda edição do Ciclo de Altos Conhecimentos Fronteiras do Pensamento, patrocinado pela petroquímica Braskem. A rodada de conferências acontece, esse ano, na cidade de Porto Alegre e traz especialistas inovadores em suas áreas. Afinal, nada melhor do que mentes criativas como a de Tom Wolfe, um dos criadores do jornalismo como o temos hoje, para falar da eterna capacidade de reinvenção do ser humano.


Destaque do evento, Wolfe é jornalista e autor de clássicos contemporâneos como “Emboscada no Forte Bragg”, A Palavra”, Décadas Púrpura”, “Eu sou Charlotte Simons”. No entanto, sua fama internacional se deve à participação na formação do movimento new jornalism, ao lado de nomes como Gay Tallese, Norman Mayler e Truman Capote.


Fronteiras do pensamento trará ainda o ganhador do prêmio Nobel de 2007, Erik Maskin, o psicólogo norte-americano Howard Gardner e a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl. A abertura do ciclo acontece no próximo dia 24 com a palestra do canadense Steven Pinker. O psicólogo, lingüista e professor de Harvard foi considerado em 2004, pela revista Times, uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Figuras como essas poderiam até prever qual a próxima reinvenção que teremos pela frente.

terça-feira, 17 de março de 2009

Fronteiras do Pensamento X Fronteiras econômicas

Ciclo de palestras mantém conhecimento distante da massa


Talvez Porto Alegre nunca tenha visto tantos especialistas internacionais renomados apresentando suas ideias em um mesmo ano, como parte de um mesmo projeto. O Ciclo de Altos Conhecimentos Fronteiras do Pensamento trará à capital gaúcha figuras como o jornalista Tom Wolfe e o Prêmio Nobel de Economia em 2007 Eric Maskin. No entanto, a pergunta que fica implícita é: qual Porto Alegre poderá assistir a essas palestras, ao custo de 240 reais?


As palestras serão distribuídas ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. Porém, já na abertura do evento temos um imprevisto. A fala do psicólogo e linguista canadense Steven Pinker, autor de "Como a Mente Funciona” e "Tábula Rasa", só pode ser assistida por convidados. Isto é, serão apenas quatro conferencistas a ouvir, ao preço de 60 reais cada um.

É claro que, em se tratando de Tom Wolfe, um dos criadores do “new journalism”, esse valor não é assim tão mau. Entretanto não é possível comprar ingressos isolados, o que faz com que o fã de Wolfe acabe por assistir pessoas de outras áreas de atuação como o psicólogo norte-americano Howard Gardner e a psicanalista Maria Rita Kehl.

É claro que os participantes do evento serão porto-alegrenses - e não porto-alegrenses - ricos, cultos e muito bem educados. Indivíduos que talvez até já viram essas conferências em suas viagens ao exterior. As fronteiras do pensamento dificilmente serão derrubadas enquanto as exorbitâncias econômicas continuarem a construir muros entre a cultura e os cidadãos.

Fronteiras do Pensamento traz discussão intelectual a Porto Alegre - texto informativo


David Lynch foi destaque na edição 2008, em Salvador

Porto Alegre será palco de embate entre grandes pensadores da atualidade durante o ano de 2009. A segunda edição do Ciclo de Altos Conhecimentos Fronteiras do Pensamento terá início dia 23 de março com a palestra do psicólogo e linguista canadense Steven Pinker, autor de "Como a Mente Funciona”, "Tábula Rasa" e "Do que É Feito o Pensamento". A abertura do evento, restrita a convidados, acontece às 19h30, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


O maior destaque do Fronteiras do Pensamento será a vinda do escritor e jornalista americano Tom Wolfe. Autor de livros como "Fogueira das Vaidades", "Eu Sou Charlotte Simmons" e “Os eleitos”, Wolf é também conhecido como criador do movimento "novo jornalismo", nos anos 60. A palestra sobre as fronteiras entre literatura e jornalismo deve encerrar o ciclo em novembro. Além dele, participarão o psicólogo norte-americano Howard Gardner, o Prêmio Nobel de Economia em 2007 Eric Maskin, e a psicanalista Maria Rita Kehl.


O passaporte para o Fronteiras do Pensamento é vendido pelo site http://www.fronteirasdopensamento.com.br/, ao preço de R$ 240 e inclui todas as conferências previstas para o ano.


quinta-feira, 12 de março de 2009

Crítica à matéria " Twitter: oportunidade ou ameaça?"

Em primeiro lugar creio que o texto ficou um tanto longo para web. Talvez em certo ponto fosse melhor segmentar o assunto e dividí-lo em mais de uma postagem. O uso de links também foi modesto e poderia ser aprimorado.
Em alguns momentos o texto foge da ordem direta o que pode causar alguma confusão ao leitor. Além disso, descartei o uso da linha de apoio, que, se usada, poderia ter proporcionado a diminuição da manchete.
Em geral, acho que o texto está razoalvelmente claro e bem encadeado.

Twitter: oportunidade ou ameaça?

Microblog ganha enfoque jornalístico e propõe desafios aos profissionais da área




Postar o que passa pela cabeça em até 140 caracteres: uma idéia singela, mas que está dando muito que falar. O microblog Twitter, surgiu em 2006 e começou, discretamente, a canalizar informações preciosas que antes eram monopolizadas pelos meios de comunicação institucionalizados. Como grande diferencial, a ferramenta apresenta a multiplicidade de suportes, ou seja, é possível twittar (postar) pela web, por mensageiros instantâneos e até por SMS.

As particularidades não param por aí. A jornalista, Raquel Camargo, responsável pelo mais visitado blog sobre o twitter no Brasil, o Twitterbrasil.org, considera que o principal motivo pelo qual o microblog se tornou essa grande rede de informações é o fato de que as conexões entre usuários não são obrigatoriamente recíprocas. Assim, qualquer um pode rastrear atualizações que considera interessantes sem nenhum impedimento. Além disso,por somente permitir frases curtas, as postagens no twitter se tornam ações rápidas e instantâneas, o que aumenta a velocidade das atualizações.

Já temos aí a receita do bolo: muitas pessoas, inclusive jornalistas, manifestando seus pensamentos e descobertas em tempo real direto de seus celulares + acessibilidade geral e ilimitada a todas essas informações = matéria prima perfeita para os veículos de comunicação encontrarem pautas e ficarem por dentro dos comentários. “Certamente é fundamental para um profissional de comunicação acompanhar”, afirma Raquel.


Um mar de desafios


Apesar da euforia dos jornalistas em torno da ferramenta, nem tudo são flores. Alguns estudiosos da comunicação, crêem que ferramentas como o twitter podem estremecer o jornalismo institucionalizado por provarem que pessoas comuns também são boas fontes de informação. “Ferramentas que dão ao público geral o poder da palavra com certeza deixam inseguro o jornalismo como conhecemos”, afirma Raquel.


Por outro lado, a questão credibilidade ainda pesa em benefício das coberturas mais elaboradas da mídia tradicional. “Pessoas comuns podem usar o Twitter para reportar fatos de caráter jornalístico em primeira mão. Mas isso não tira a necessidade de que haja uma cobertura jornalística concomitante/posterior que ajude a filtrar as informações”, ressalta Gabriela.


Com promessas e desafios, o twitter esta aí, e, hoje, já é parte do mar de informações no qual é preciso navegar diariamente. Se a moda vai chegar a grande massa ou se vai continuar sendo privilégio dos geeks ainda é uma incógnita, mas com certeza já revolucionou nossa forma de ver comunicação.


Descubra mais sobre o fantástico mundo do Twitter no Twitterbrasil.org.


Versão reduzida para Mobile ou Palm: Twitter invade o mundo jornalístico: Nova utilização da ferramenta propõe desafios aos profissionais da área.


quinta-feira, 5 de março de 2009

Fases do webjornalismo

O jornalismo digital, ou webjornalismo dependendo da terminologia adotada, ainda está em fase de experimentação, especialmente entre os veículos de comunicação impressa brasileiros. A maioria dos jornais já percebeu que não é possível continuar comunicando, em pleno século XXI, sem se jogar na rede. No entanto, essa transposição, do impresso para o digital, constitui um processo demorado e, segundo a pesquisadora Luciana Mielniczuk, passa por três fases essenciais.

Abaixo, alguns exemplos de sites contemporâneos, mas que vivem em fases distintas:

1)Fase transpositiva
www.imprensaoficial.com.br/PortalIO/Home_1_0.aspx#05/03/2009 - O site da imprensa oficial do governo do estado de São Paulo traz apenas a possibilidade de consulta à versão impressa do Diário Oficial, sem acrescentar nenhum tipo de material produzido para a Internet. O formato PDF é utilizado para a transposição.

2)Metáfora
http://oglobo.globo.com/ - O site do jornal o Globo utiliza vários recursos exclusivos da Internet, como a hipertextualidade – por meio de links - e a interatividade – através de fóruns e enquetes. No entanto, o formato dos textos ainda é muito semelhante aos dos escritos para jornais impressos. A convergência de mídias também não é a explorada pelo veículo, que ignora arquivos de áudio e vídeo.

3) Webjornalismo
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ - A página da BBC Brasil traz um enfoque das notícias da rede inglesa especialmente formatadas para a internet. Características próprias da Internet como a convergência de mídias, a velocidade, a memória e mesmo a personalização estão presentes na página. Essa última é conquistada por meio de feeds e do recebimento de determinadas notícias, de alguma seção específica, por email.