quarta-feira, 25 de março de 2009

Muitas palavras e pouco resultado

MEC debate as diretrizes curriculares do jornalismo, mas ao contrário de respostas surgem ainda mais dúvidas

A primeira audiência pública para discussão do currículo dos cursos de jornalismo ocorreu na última sexta, dia 20, no Rio de Janeiro. A reunião foi proposta pelo Ministério da Educação e contou com a participação de estudantes, professores e profissionais da área. Já estava na hora de repensar o apredizado da profissão, uma vez que os repórteres, na maioria formados para a televisão ou jornal impresso e programados apenas para servirem a grandes companhias, já não encontram espaço no mercado de trabalho.

O jornalista Maurício Tufanni afirma em seu blog, Laudas Críticas, que o debate é uma forma, imposta pelo MEC, de forçar os cursos de jornalismo a reverem seus conceitos sobre o formato dos currículos e a obrigatoriedade do diploma. "Lamentavelmente, temos mais um exemplo na história deste país de uma ação por parte do governo para induzir algo que outros setores da sociedade deveriam ter feito". Realmente, é díficil acreditar que não tenha partido dos próprios membros da classe a necessidade de respirar um ar renovado.

Nada ficou decidido no encontro. No entanto, a professora Sylvia Moretzsohn, em artigo para o Observatório da Imprensa, salienta duas polêmicas, surgidas no debate, que são como bombas-relógio prestes a explodir. " A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião [A separação do curso de Jornalismo do de Comunicação Social]. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil [O ministro da educação sugeriu que a cada faculdade aberta um ponto se drogas seria fechado]".

Por enquanto estão sendo recolhidas ideias, que serão utilizadas pela Comissão Especializada da Secretaria de Ensino Superior para formulação da proposta de currículo a ser encaminhada para o Ministério. A equipe, que terá a palavra final sobre a mudança das Diretrizes Curriculares da graduação, é presidida pelo jornalista José Marques de Melo, um dos fundadores do curso de comunicação na USP.

José Marques de Melo é o presidente da Comissão Especializada responsável pelo debate

A próxima audiência pública acontece no dia 24 de abril, em Recife, e ouvirá representantes do mercado de trabalho do jornalismo. A terceira edição será em São Paulo, no dia 18 de maio e receberá as contribuições dos movimentos sociais, organizações não-governamentais e demais setores da sociedade civil.

Alunos, professores, pesquisadores e profissionais do jornalismo também podem enviar contribuições para a discussão, até o dia 30 de março, para o endereço consulta.jornalismo@mec.gov.br. Os principais temas a serem desenvolvidos são: o perfil desejável do profissional de jornalismo, e as principais competências a serem adquiridas durante a graduação. É a chance de participar e fazer valer as ideias da sociedade sobre a profissão.

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